sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Outro dia. Mais testes e a droga do sistema de saúde americano

Leah teve complicações com a sonda de alimentação (Gtube) e os médicos tiveram que desobstruí-la.

Médicos limpando o Gtube
Exausta por causa dos movimentos e todo o estresse de tudo, ela adormeceu pela manhã.

Cansada e exaurida, a pequenina adormeceu
Durante a noite, os médicos foram coletar sangue para efetuar uma análise chamada Gasometria, que é a leitura do pH e das pressões parciais de oxigênio e gás carbônico em uma amostra de sangue. Frani comentou sobre a coleta e como acaba judiando da criança:
(...) eles fizeram coleta para a gasometria, para verificar se os ajustes referentes ao orifício da traqueostomia estavam corretos. A amostra de sangue coagulava antes que o tubo ficasse cheio e, por isso, eles tiveram que espetá-la várias vezes. Até que eu decidi pedir que parassem e que tentassem novamente mais tarde, já que para isso eles a mantiveram acordada (e a mim também) da meia-noite às três.
Alguns dos furos feitos para a gasometria. Ela os tem pelo corpo todo
Além de todos esses testes, o estresse que eles causam na pequenina e aos pais, ainda existem os problemas causados pelo sistema de saúde americano. Zev desabafou: 
Estar nisso com esta criança é como uma montanha-russa. De qualquer maneira, ela está estável embora ainda haja dessaturação o que significa que as dificuldades respiratórias continuam, mas pode ser devido a apnéia que ela tem e pela fraqueza devido a um vírus, febre ou infecção. O problema todo é que, se não tivessemos agido em tempo... bem, ou seja... ah, vocês sabem o que quero dizer. O UCLA conseguiu que o plano de saúde cobrisse o Respirador por um tempo, em casa. Ela precisará dele para respirar durante a noite até que tenhamos certeza de que ela possa fazê-lo sozinha. Seus "distúrbios de movimentos" não ajudam quando ela está nesse estado. Por sorte, eles são bem amenizados graças ao Tegretol. Ainda assim, é uma tortura infernal ver essa bebezinha passando por tudo isso e todos esses malditos testes e agulhas necessários para tentar descobrir o que está acontecendo com ela. Eu conversei com o 'cara lá de cima' e pedi para ele se seria possível dar a ela um tempinho. Acho que ele me deixou na espera da outra vez e as orações 'se perderam'. Por isso, vou continuar tentando até que ele as atenda. ;)
Eu sei que devo parecer um bebê chorão resmungando mas tudo o que vejo aqui é uma UTI deserta. Durante boa parte do dia, ficamos apenas Leah e eu enquanto Frani vai trabalhar para manter 'a comida na mesa' e manter o plano de saúde.

E sabem o que mais, ainda por cima? O Sistema de saúde. Como é difícil conseguir qualquer aprovação deles. Multiplique tudo por 1.000. E quando eles ajudam, é muito limitado. Eu não sabia como isso era tão ruim neste país até que começamos a passar por isso tudo. Por que eu tenho que IMPLORAR por catéteres de sucção para que o canal respiratório da minha filha fique desobstruído???? Por que eu tenho que IMPLORAR para conseguir filtros de ar para as máquias respiratórias???? Por que eu tenho que me preocupar em ter que transportar minha bebê para um hospital melhor e provar a eles que é o melhor para ela já que o UCLA conhece minha filha? É sobre isso que eu falo. Por sorte, eu conheço um repórter no Huffington Post que pode escrever sobre isso em um artigo. Se alguém duvida de algo, venha aqui viver comigo. Venha ver o pesadelo no qual somos colocados para conseguir as coisas mais simples para esta criança. EU AMO este país e muito! Meu pai lutou na Coréia e no Vietnã. Amamos nossa vida aqui, MAS porque eu acabo pensando em deixar este país por que é tão difícil conseguir cuidados para a Leah? Eu detesto quando ouço meus amigos de outros lugares dizendo que eles não precisam passar por isso porque é gratuito. Isto é completamente e totalmente uma m***. Isso não deveria acontecer com Leah ou qualquer outra criança neste país. E de novo, eu desabafei.
E ele ainda termina:

Alguns dos nossos 'vizinhos' (da outra vez) aqui na UTI faliram enquanto estiveram aqui. Pessoas que trabalham duro, como eu e você. Por que tem que acontecer isso a eles? É justo que uns poucos gananciosos cuidem disso enquanto temos condições neste pais para que todos tenhamos os cuidados necessários?
Confesso que eu também desconhecia como funciona o sistema deles e não tenho vergonha de assumir que achava que tudo era 'bonito e glamuroso' como os seriados médicos mostram. Mas como podemos ver pelo que diz Zev, a coisa não é bem assim. Estou vendo agora que muita coisa nos Estados Unidos não são tão 'lindas' como pintam por aí. Nada contra o país. Mas assim como todos os paises, tem seus defeitos.

Carlos Diaz, um dos 'Anjos' aqui do Brasil, é americano, filho de mãe brasileira e agora está morando aqui. Conversamos bastante outro dia e ele me explicou que lá não é como aqui, isto é, não existe a saúde pública gratuita. Lá, você paga de qualquer jeito. Ou você tem um plano de saúde (fornecido pela empresa que você trabalha ou você paga e muito caro, para ter o seu) ou você paga do seu próprio bolso e não é barato. E é muito comum pessoas realmente fallirem porque não tem como pagar as despesas de alguma internação ou algo do tipo. E lá, eles vem e tomam seus bens para pagar as despesas, as leis permitem isso. As pessoas podem perder todos seus bens por causa de uma infelicidade como esta que a família Esquenazi está passando.

Para terminar as notícias, guardei uma imagem e uma curiosidade interessante relatada por Zev. Acalmou meu coração e tenho certeza de que acalmará o seu também. Ainda mais num país como o nosso, tão cheio de misticismo e espiritualidade. 

Doutora Ischandar examinando nossa princesinha

Esta é a doutora Ischandar. Segundo Zev nos contou, ela tem algum tipo de 'conexão' espiritual com a Leah pois sempre que algo acontece, ela está lá ou sente alguma coisa e telefona para a família. Desta vez, foi como se ela sentisse 'um distúrbio na Força' e certa disso, ela telefonou exatamente no momento em que eles estavam na ambulância saindo do Cedars Hospital em direção ao UCLA. Ela vem batalhando com o plano de saúde, bem como junto da própria Leah para que todas as necessidades da pequenina sejam supridas."Nós a amamos.", Zev disse. 

E eu posso afirmar com certeza: nós também, meu amigo. Nós também.

2 comentários:

  1. Chorei com este post. É muito dolorido testemunhar um filho sofrendo.
    Passei por isso quando a Bruna teve crise renal. Eu queria que a dor dela viesse para mim e ela parasse de sofrer.
    E dói o meu peito só de imaginar o que a Fran e o Zev passam naquela UTI vendo a bebê sendo manipulada e espetada por agulhas, choro só de imaginar que poderia ser minha filha ali.
    E quanto ao sistema de saúde deles, infelizmente sentimos na pele quando a pequena Ariel machucou a boca e precisou de uma cirurgia. O atendimento foi péssimo e a conta, um assalto.
    Continuamos as orações pela pequena Leah, que Deus dê forças para todos eles e que ilumine um médico para que ele descubra o que ela tem de uma vez por todas.
    Beijos

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  2. Esse post é de cortar o coração: primeiro pelo sofrimento da pequena princesa e de seus pais, segundo pela bravura e força que esse bebê tem, e terceiro pelo sistema de saúde dos EUA (e do Brasil e de outros países...) Nada deveria valer mais que a saúde de uma pessoa, especialmente de uma criança. NADA!

    Força, pequena guerreira! Torço por você!

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